Introdução

Este trabalho tem como tema a terceirização de tratamento de superfície, que se refere a uma técnica administrativa utilizada em processo de gestão, em que se transferem as atividades de tratamento de superfície do produto de alumínio a parceiros especializados, permitindo esta concentrar seus esforços na atividade-fim, ou seja, a fabricação do produto.
O objetivo é identificar vantagens e benefícios da terceirização do tratamento de superfície do alumínio com ênfase em anodização.  A estética e durabilidade do alumínio são definidas pelo acabamento aplicado sobre sua superfície. Os processos de acabamento determinam as características protetivas e decorativas do alumínio. Segundo a Associação Brasileira do alumínio (ABAL) os processos mais utilizados são conversão química, anodização e pintura eletrostática.  A anodização é o método de tratamento de superfície de alumínio mais indicado, porque é definido para produzir uma película decorativa e protetiva de qualidade sem alterar a dimensão do material.
A região de Ribeirão Preto é o maior pólo industrial de equipamentos odontológicos da America latina, distribui para todo Brasil e exporta para vários países. Sendo uma região favorável para este seguimento de mercado de tratamento de superfície (anodização).
O processo de tratamento de superfície é uma pratica que exige amplo espaço físico, equipe de produção treinada, um químico responsável, licença na policia federal, certificado de anotação de responsabilidade técnica do conselho regional de química, auto vistoria do corpo de bombeiros e autorização da CETESB- Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Todos esses requisitos são necessários porque a solução para esse tratamento do alumínio é a base de ácidos (Ácido fosfórico, sulfúrico e outros).
Há empresas que adotam o tratamento de superfície na sua própria linha de produção, contudo a maioria das empresas que utiliza essa pratica prefere terceirizar, devido às diversas condições obrigatórias para o funcionamento do mesmo e as vantagens da terceirização exemplos concentração de esforços (focalização), agilização de processos, melhoriadequalidade, melhoria de produtividade, redução de custos, redução de Imobilizado e principalmente liberação de espaço.
Decidiu-se por este tema porque o processo de terceirização é visto como sendo uma tendência do mercado, onde as empresas buscam através de parceria e se preocupam com a qualidade, agilidade de decisão, eficiência e eficácia.
O presente estudo foi desenvolvido a partir de uma pesquisa de cunho qualitativo, por meio de livros consultados, entrevistas cedidas por empresas do ramo de fabricação de produtos de alumínio e do ramo de tratamento de superfície, todas as empresas citadas no trabalho autorizaram a utilização de seus nomes.   
O trabalho está dividido em três partes, a saber: no primeiro capítulo fala-se sobre tratamento de superfície no alumínio; no segundo capitulo é abordado sobre terceirização, conceito e benefícios; no terceiro e último capitulo será apresentado estudo de caso sobre terceirização de tratamento de superfície.

 

 

1. TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIE NO ALUMÍNIO

A escolha do alumínio para ser matéria prima de produtos, equipamentos e materiais vem crescendo ano a ano, no mundo e no Brasil, por ter como atrativo maior facilidade de obtenção de matéria prima. O Brasil é o terceiro pais que tem maior quantidade de bauxita (matéria prima do alumínio) no mundo e 98% do alumínio utilizado no país é reciclado, menor densidade, permite maior gama de acabamentos, maior maleabilidade em relação aos metais que possam substituí-lo, auto proteção, benefício da leveza, força, flexibilidade e durabilidade, além de ser 100% reciclável o fato de ele ser bem mais leve que o os outros materiais propicia a redução da utilização de energia dos equipamentos tornando o alumínio um material sustentável.
Desde então, a tecnologia desenvolveu meios de tratamento de superfície do alumínio, aliando proteção contra corrosão à estética. Segundo a Associação Brasileira do Alumínio - ABAL (2005) a imagem do alumínio é definida e fixada pelo acabamento aplicado sobre sua superfície. Essa afirmativa constata a importância dos processos empregados para essa finalidade, que determinam as características protetivas e decorativas de alta durabilidade.
Os processos de tratamento de superfície do alumínio mais empregados são conversão química, pintura eletrostática e anodização.
Conversão química é utilizada com finalidade protetiva ou como pré-acabamento para a aplicação do processo de acabamento final.
A pintura eletrostática é um processo cientifico, onde os princípios de química e de eletricidade integram-se de forma harmônica, e depende fundamentalmente do pré-tratamento de conversão química sobre a superfície do alumínio, assim a aderência da tinta será perfeita, a pintura eletrostática não depende da conversão química mais se beneficia se caso a conversão química é aplicada no alumínio antes de ser realizada a pintura. O mais importante tratamento desenvolvido é o processo de anodização é o tratamento mais indicado para o alumínio por produzir uma película decorativa e protetiva de alta qualidade sem alterar as medidas naturais do material. (ABAL, 2005)

 

 

    1. ANODIZAÇÃO

 

Conforme Associação Brasileira de Tratamento de Superfície São Paulo – ABTS (1995), em 1857 foi descoberto por H. Buff e C. Pollack, a tendência do alumínio de recobrir-se de oxido numa célula eletrolítica. Baseados nesta descoberta, inúmeras pesquisas foram feitas, mas somente em 1911 o francês François Saint Martin, desenvolveu os princípios básicos para a oxidação eletrolítica em meio sulfúrico.
Posteriormente inúmeros aperfeiçoamentos, a nível industrial, surgiram em vários países, sendo a mais importante em 1927 a patenteada com o nome de Aluminite marca americana da Aluminium Colors, desenvolvida por C.H.R Gower e S.O. O’Brien, que associaram a anodização em meio ácido sulfúrico com tingimento do alumínio.
Em 1923 Bengough e Stuart, na Inglaterra, desenvolveram a nível industrial a anodização em meio ácido crômico. Posterior os japoneses Setoh Rikagu e Meyata Kenkyugo colocaram em prática a anodização em ácido meio oxálico, aperfeiçoada por Kuttner na Alemanha, sendo patenteada com o nome de Eloxal. Atualmente a maioria das patentes de anodização é de domínio público.
Anodização é um processo eletro químico que tem por finalidade formar controlada mente uma camada de óxido na superfície do alumínio. 

“Anodização é um processo eletrolítico ou eletro químico que promove a formação de uma camada controlada e uniforme de óxido na superfície do alumínio. Guia técnico de alumínio: tratamento de superfície” (ABAL- Associação Brasileira do Alumínio, 2005, p.39)

Todos os metais são passiveis de oxidação, sendo na maioria deles um problema. Porém, no alumínio é usada como proteção superficial melhorando certas propriedades, como resistência a intempéries, dureza superficial, diversificação de tipos de acabamento.
A anodização, em relação a outros tipos de proteção do alumínio, possibilita uma maior durabilidade do acabamento, em virtude da maior intimidade com a estrutura do material. Diferente de processos de pintura ou galvânicos, a anodização não deposita material sobre uma base, o processo ocorre pela transformação do alumínio superficial em óxido de alumínio. (ABAL, 2005)
O processo de anodização pode ser classificado em função do ácido que compõe o eletrólito (solução, onde a peça será introduzida). As mais comuns são Sulfúrica: aplicação caxilharia, decoração e técnica, Crômica: aplicado na indústria aeronáutica e Oxálica: caxilharia e técnica.
É possível adicionar aditivos ao ácido sulfúrico e com isso obter determinadas vantagens e flexibilidade no processo. Anodização sulfúrica é o processo mais utilizado no mundo, em decorrência da temperatura, tensão de corrente elétrica, da cor e características gerais do óxido, da facilidade de coloração e custo final.  A função do ácido sulfúrico no banho é para facilitar a circulação da corrente elétrica. (ABAL, 2005)

“Anodização em meio sulfúrico é o processo anódico mais utilizado universalmente, constituindo-se de ácido sulfúrico, cujo custo é relativamente baixo. Em Função da temperatura e da voltagem, apresenta uma grande versatilidade quanto a qualidade da camada formada, que vai desde a porosa, de fácil coloração (bens de consumo/arquitetura), até àquelas extremamente duras para fins técnicos’’. (ABAL- Associação Brasileira do Alumínio, 2005, p.41)

A anodização em meio sulfúrico é formada de concentração de acido sulfúrico, temperatura do eletrólito (solução onde a peça a ser anodizada será introduzida), voltagem utilizada, densidade de corrente elétrica aplicada e agitação.
O tratamento de anodização consiste em fazer circular uma corrente elétrica apropriada através do material que se pretende tratar. Para isso ser possível é utilizado ferramentas específicas: gancheiras (dispositivo no qual são fixadas as peças) feita de material de boa condutibilidade elétrica e compatíveis fisicamente com as peças; tanques (recipiente que abriga as soluções normais e acida) devem ser construídos com estabilidade térmica e resistência a ácidos; retificador equipamento que fornece energia elétrica ao sistema e bombas e filtros responsáveis pela agitação e circulação dos banhos.
O sistema para a anodização compõe-se de: uma cuba contendo água e certa quantidade de ácido, cujo ânion contenha oxigênio, tais como ácido sulfúrico, oxálico, crômico, fosfórico, etc. Neste sistema adaptamos um gerador de corrente contínua (Retificador). É possível impregnar a superfície do alumínio anodizado com pigmentos coloridos. O pigmento fica retido no poro do alumínio, após a coloração é feito o fechamento do poro (selagem). Existem dois tipos de coloração a eletrolítica e a coloração por absorção. (ABAL, 2005)
Coloração eletrolítica se faz tratando o alumínio anodizado num banho contendo sais de estanho, ácidos sulfúricos e aditivos. As cores possíveis com este processo são champanhe, bronze (claro, médio e escuro) e preto.
A superfície do alumínio é altamente porosa e possui uma superfície interna muito extensa, essa superfície tem um alto poder de absorção, o processo de absorção é uma característica da coloração pelo tratamento com soluções de corantes orgânicos. Com a absorção denomina-se a agregação de concentração de moléculas de corantes na superfície interna da camada anodizada. Existem inúmeras cores de corantes que podem ser fixada na superfície do alumínio.
Selagem (o fechamento dos poros) é feito normalmente reagindo a superfície do alumínio anodizado com água quente. (ABAL, 2005)


Figura 1- Fluxograma dos estágios básicos de anodização “Guia técnico de alumínio: tratamento de superfície” (ABAL- Associação Brasileira do Alumínio, 2005, p.15)

 

1.2 EXIGÊNCIAS PARA EXERCER A PRÁTICA DE ANODIZAÇÃO

 

A pratica de anodização é altamente insalubre, pois tem como “matéria prima’’ ácidos altamente corrosivos e para realizar o processo de anodização é necessário se enquadrar em uma serie de exigências.
Escolha do local para anodização: o local deve ser apropriado para instalação de um tratamento de superfície alguns itens devem ser considerados, tais como segurança industrial, tratamento de efluentes etc. Sendo a seção de anodização uma parte dentro de um processo produtivo, sua localização deve ser em um ambiente físico separado, por obter risco de contaminação dos banhos por poeiras e poluentes que a linha de produção libera durante a fabricação do produto. (ABTS, 1995)
Sabendo-se que a anodização utiliza produtos altamente corrosivos, a construção civil deve ser projetada com os mínimos requisitos. Para este deve ser confeccionado com material anticorrosivo e sistema elétrico deve ser revestido tipo de seção: piso com revestimento de cerâmica antiácida, sistema hidráulico com material resistente ao ambiente altamente corrosivo. O local tem que estar regularizado nas medidas de segurança contra incêndio, prevista no decreto estadual n.46.076/01, do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar. (ABTS, 1995)  
Tratamento de efluentes: a estação de tratamento de efluentes da anodização é constituída por um sistema de tratamento contínuo, onde são tratados os efluentes das águas de lavagem do processo de anodização e o sistema de tratamento periódico, onde são retirados os efluentes oriundos dos tanques de processo contaminados ou saturados, que são descartados periodicamente. (ABTS, 1995)

Figura 3- Estação de tratamento convencional das águas residuais do processo de anodização “Guia técnico de alumínio: tratamento de superfície” (ABAL- Associação Brasileira do Alumínio, 2005, p.117)

 

 

Controle de processos: para aplicação do controle de concentração de produtos químicos é necessário ter um responsável técnico químico dentro da seção de anodização. É fundamental que a indústria de tratamento de superfície tenha um laboratório químico, pois este desempenhará um controle químico da matéria-prima, aumentando a qualidade final do produto. Os principais benefícios são efetivar a manutenção preventiva, corrigir banhos internamente, agilizar a correção de problemas, controlarem matéria-prima utilizada, treinar funcionários, acompanhar a qualidade obtida e implantar, desenvolver e utilizar o controle estatístico do processo. 
Higiene e segurança do trabalho: a função da higiene é remover as condições de insalubridade e buscar a salubridade perfeita. Para projetar um departamento ou indústria de anodização, devemos escolher um galpão arejado, iluminado e usar sistema de exaustão para sugar vapores e névoas tóxicas (esses cuidados são chamados de equipamento de proteção coletiva). Mesmo com estes equipamentos, os operadores deverão usar ainda equipamentos de proteção individual, tais como óculos ou viseiras, luvas, botas e aventais de borracha ou PVC e máscaras respiradoras adequada a cada caso especifico.
Todas essas exigências de localização, construção civil, medidas de segurança contra incêndio, tratamento de efluente, controle de processo químico e higiene e segurança do trabalho são essenciais e indispensáveis para obter as documentações e licenças de operação necessárias para exercer a prática de anodização. Documentos obrigatórios: Certificado de Licença de Funcionamento da Polícia Federal Divisão de Controle de Produtos Químicos, Certificado de Auto Vistoria do Corpo de Bombeiros, Licença de Operação da CETESB- Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Certificado de Anotação de Responsabilidade Técnica do Conselho Regional de Química e Certificado de Segurança e Saúde no Trabalho.

 

    1. MERCADOS QUE UTILIZAM ANODIZAÇÃO 

O alumínio anodizado é amplamente utilizado pela indústria de diversas maneiras. Tal versatilidade se deve às suas propriedades e excelente desempenho na maioria das aplicações. Suas técnicas de fabricação permitem a manufatura do produto acabado a preços competitivos. Cada segmento utiliza o metal tratado na forma mais adequada às suas finalidades, de acordo com os diferenciais e propriedades de cada produto. 
As características do alumínio anodizado permitem que ele tenha uma diversa gama de aplicações. Por isso, o metal é um dos mais utilizados no mundo todo. Material leve, durável e bonito, o alumínio mostra um excelente desempenho e propriedades superiores na maioria das aplicações. Produtos que utilizam o alumínio anodizado ganham também competitividade, em função dos inúmeros atributos do alumínio. Leveza característica essencial na indústria de transportes representa menor consumo de combustível, menor desgaste, mais eficiência e capacidade de carga. Para o setor de alimentos, traz funcionalidade e praticidade às embalagens por seu peso reduzido em relação a outros materiais. O metal também oferece um bom ambiente de aquecimento e resfriamento. Trocadores e dissipadores de calor em alumínio são utilizados em larga escala nas indústrias alimentícia, automobilística, química, aeronáutica, petrolífera, etc. Para as embalagens e utensílios domésticos, essa característica confere ao alumínio a condição de melhor condutor térmico, o que na cozinha é extremamente importante. 
O aspecto externo do alumínio anodizado, além de conferir um bom acabamento apenas com sua aplicação, confere modernidade a qualquer aplicação por ser um material nobre, limpo e que não se deteriora com o passar do tempo.
O alumínio anodizado oferece uma excepcional resistência a agentes externos, intempéries, raios ultravioleta, abrasão e riscos, proporcionando elevada durabilidade, inclusive quando usado na orla marítima e em ambientes agressivos. A alta maleabilidade e flexibilidade do alumínio permitem à indústria utilizá-lo de diversos setores do mercado econômico. Suas propriedades mecânicas facilitam sua conformação e possibilitam a construção de formas adequadas aos mais variados projetos. Uma das principais características do alumínio é sua alta reciclabilidade. Depois de muitos anos de vida útil, segura e eficiente, o alumínio anodizado pode ser reaproveitado, com recuperação de parte significativa do investimento e economia de energia, além da economia de energia o meio ambiente é beneficiado pela redução de resíduos e economia de matérias-primas propiciadas pela reciclagem. Por esses motivos existem diversos segmentos de mercado que utilizam alumínio anodizado.
Exemplos de alguns mercados específicos que utilizam o tratamento de superfície do alumínio (anodização).
Construção civil: O alumínio anodizado terá destaque nas obras de infra-estrutura do sistema aeroportuário brasileiro, com a realização da Copa do Mundo, em 2014 se abrem ótimas oportunidades para indústria do alumínio no seguimento de construção civil. O alumínio seguramente estará muito presente tanto nas reformas e ampliações dos aeroportos existentes quanto na construção de novos.
Vantagens da utilização de alumínio anodizado em obras de construção e reformas civis. A começar por sua grande resistência à corrosão, mesmo quando utilizado áreas poluentes ou próximas ao mar. Com isso, as preocupações e despesas com limpezas, conservação e manutenção são minimizadas. Outra delas é a leveza, o alumino é muito mais leve que outras matérias utilizadas em arquitetura. A leveza do alumino também alivia as cargas aplicadas nas estruturas principais, o que pode gerar uma considerável economia.  
Os laminados de alumínio anodizado são utilizados em obras monumentais já há varias décadas no Brasil. São diversas formas e lugares para se aplicar o alumínio anodizado em construções civis: estruturas, coberturas, revestimentos internos e externos, esquadrilhas, fachadas, divisórias, vitrines, perfis de caxilharia, janelas, portões, boxe, forros, entre outros. Indicado anodização convencional eletro colorida nas cores natural, preto e bronze, devido à proteção contra raios UV (Ultra Violeta).
Automobilístico: O alumínio anodizado segue consolidando e ampliando seu espaço no setor automobilístico pela questão do meio ambiente e da economia de combustível. Hoje, as montadoras entendem que a redução do peso é indispensável para diminuir o consumo e as emissões veiculares. O alumínio anodizado está presente nas carrocerias, suspensões, blocos, cabeçotes, motores, rodas, detalhes dos painéis, capo, para-choques, pedais, escapamento de carro e moto, guidão, aros e frisos. O mercado utiliza anodização colorida brilhante, pelo benefício da estética. Já para o pistão de freio é feito anodização dura pela resistência ao desgaste mecânico.  

Peças automotivas sem tratamento de superfície.     Peças automotivas anodizadas coloridas. (Autor)
(Fonte autor)

Aeronáutica: painel de controle, arco, suporte do conta giro, etc. Para as peças que sofrem desgaste é feito anodização dura exemplo: suporte do conta giro, para peças que não passam por processo desgastante é utilizado anodização decorativa exemplo: painel.

Painel de controle sem tratamento de superfície.      Painel de controle, anodização decorativa.   (Fonte Autor)    

Mercado mobiliário: Em áreas litorâneas, muitos móveis e objetos acabam sendo perdidos por conta da ação corrosiva da maresia. Por isso eles precisam ser duráveis e resistentes, além de confortáveis e práticos. O alumínio anodizado consegue garantir todas essas vantagens, por ser resistentes a áreas abertas sem coberturas e a maresia, sem contar com a vantagem de leveza, flexibilidade e design do alumínio.  Móveis: cadeiras, mesas, guarda-sóis e acessórios de alumínio em ambientes litorâneos, etc.
Tecnologia da informação-TI: Tablet, composto por uma placa de alumínio escovado, anodizado convencional, que garante sua maleabilidade e flexibilidade. Esse equipamento tem sete milímetros de espessura e seu peso é de 400gramas, vantagens garantidas pelo uso do alumínio em sua estrutura.    

 Área médica: aparelhos de ortopedia e ginecologia utilizam anodização para resistir a esterilização.  

Caixa de esterilização de equipamentos médicos sem tratamento de superfície. (Fonte autor)   

 


Caixa de esterilização de equipamentos médicos, anodizada convencional na parte inferior da caixa, anodização decorativa na tampa da caixa. (Fonte autor)  

 

 

Odontologia: peças de mão (micro motor, auto-rotação, seringa, cabo de espelho, aparelho de remoção de tártaro, etc.), usada anodização convencional colorida, por ser decorativa e resistente a oxidação e manchas provocadas pela autoclave.

Cabo ultra sem tratamento de superfície. (Fonte autor)

Cabo ultra tratado com anodização convencional decorativa. (Fonte autor)   

Mercado da Estética: bijuterias de alumínio, base de embalagens para maquiagem, embalagens e tampas de perfume, etc. 


Bijuterias e frascos de perfumes tratados com anodização convencional colorida.  (Fonte autor)

 

2. TERCEIRIZAÇÃO.

 

Terceirização refere a uma técnica administrativa utilizada em processo de gestão, em que se transferem as atividades meio a cargo de parceiros especializados, permitindo esta concentrarem seus esforços na atividade-fim, ou seja, no negócio próprio.

“A terceirização está calcada no objetivo de acrescentar valor à empresa, buscando crescimento estratégico pela criação de novas responsabilidades de gerenciamento, foco nos serviços e suporte, liberação das demais unidades de negócio para voltarem-se aos aspectos estratégicos das operações (objetivo-fim), transparência de atividades secundárias das unidades de negócio para os processos principais dos Serviços Compartilhados,concentração de recursos que desempenham as mesmas atividades de suporte, sendo tais atividades fornecidas a custos baixos e com altos níveis de serviço, alavancagem dos investimentos tecnológicos e, por fim, busca pela melhoria contínua”. Silva; Santos; Santos (2006, p.22)

A técnica de contratar serviços originou-se, como destaca Queiroz (1992), logo após o início da II Guerra Mundial, nos Estados Unidos, onde as industrias bélicas tinham que se concentrar no desenvolvimento da produção de armamentos e passaram a delegar algumas atividades a empresas portadoras de serviços.
No Brasil, a terceirização foi gradativamente implantada com a vinda das primeiras empresas multinacionais, principalmente as automobilísticas no inicio da década de 80. Essas fábricas adquiriam as peças de outras empresas, guardando para si a atividade fundamental de montagens de veículo.
Desde aquela época, até aproximadamente 1989, a terceirização era conhecida como contratação de serviços de terceiros e vinha sendo aplicada
apenas para reduzir custo de mão-de-obra. As empresas utilizam-se desse recurso simplesmente para obter algumas economias em gerar ganho de qualidade, eficiência, especialização, eficácia e produtividade.
As pequenas e médias empresas foram as primeiras a entrar neste novo processo, por serem as mais ágeis e por terem percebido a necessidade de mudança, conquistando espaço neste mercado. Mas logo, as grandes organizações começaram a fazer uma reflexão para continuar no mercado de forma competitiva.
A primeira tentativa de mudança, conhecida como downsizing, foi a redução dos níveis hierárquicos, enxugando o organograma reduzindo o número de cargos e conseqüentemente agilizando a tomada de decisões – que não implica, necessariamente, com corte de pessoal. Em decorrência deste processo, surgiu o outsourcing, que significa terceirização, que aprimorou a nova estratégia do mercado mundial. (Giosa, 1997, p. 13).
Terceirização se faz presente em muitas empresas hoje em dia isso acontece porque, consiste na concentração de esforços nas atividades essenciais, delegando a terceiros as complementares.
Terceirização é um processo de gestão pelo qual se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma relação de parceria, ficando a empresa concentrada apenas em tarefas essencialmente ligados ao negócio em que atua. (GIOSA, 1997)
As empresas têm recorrido à terceirização com o intuito de aumentar sua produtividade e competitividade no mercado, produzindo melhores resultados e trazendo ganhos efetivos para ambas as partes.
Para terceirizar, deve-se primeiramente identificar no contrato social da empresa contratante, sua finalidade de negócio e, além disso, deve-se identificar o seu objetivo econômico, atividades para qual a empresa foi criada e organizada. Desta forma, a empresa terá feito uma revisão da sua missão e conseqüentemente sobre as atividades-fins e também das atividades secundárias, as quais poderão ser repassadas a terceiros.
Como afirma Giosa (1997), a próxima etapa é diagnosticar o estado de conscientização dos empregados frente à terceirização. É preciso que se mostre a necessidade de terceirizar e os benefícios pretendidos, sendo necessária a realização de estratégias, a fim de mostrar o lado positivo da terceirização, como a geração de novas oportunidades de negócios e aumento de rendimentos pessoais.
A escolha criteriosa do fornecedor de bens e serviços é fundamental em um programa de terceirização. É preciso estar bem claras e conhecidas as expectativas entre contratados e contratantes, e ao mesmo tempo, o contratante deve ter a certeza absoluta das competências do contratado em resolver o seu problema, a qualquer tempo e situação.
As pessoas contratadas pela empresa terceirizada devem conhecer perfeitamente a sua importância no contexto da organização, verificando o risco da possível diminuição de qualidade em relação ao mercado consumidor e tendo a necessidade de uma avaliação ocupacional criteriosa para inteira-se de todas as fases do trabalho e todo o seu envolvimento técnico operacional.
A terceirização, conforme Giosa (1997) pode ser feita da seguinte forma: com fornecedor/parceiro: é a contratação pura e simples de um prestador de serviços sem nenhum envolvimento funcional.
Para o processo de terceirização é necessário se firmar uma parceria entre a empresa contratante e a prestadora de serviços. A parceria é a parte do processo de terceirização mais importante, pois os gastos em conjunto e os dados confidenciais são partilhados entre os parceiros. E ainda reforça com a ideia de que se não houver um verdadeiro parceiro, a empresa contratante não consegue implantar e nem desenvolver um processo de terceirização eficaz e eficiente, e não obterá os ganhos esperados de qualidade e principalmente na redução de custos.
No posicionamento de parceria os custos não são repassados, mas sim administrados por ambas as partes e a redução destes virá como resultado da produtividade e qualidade.
A qualidade é a principal preocupação, pois é dela que vai depender a continuidade da parceria. Esta já faz parte dos novos modelos de gestão, é preciso priorizar a agregação de valor à cadeia produtiva, que assim resultará na geração de valor para clientes e usuários, onde os índices estão diretamente ligados à especialidade dos parceiros, pois quanto mais estes conhecem o seu trabalho, melhores são os resultados, portanto a relação entre as partes tem como principal interesse a adequabilidade das contribuições do terceiro.
Logo, o mercado exige cada vez mais das empresas qualidade na oferta de seus serviços. Além disso, a qualidade está ligada ao pleno conhecimento de todas as metas e fases do processo; ao aprimoramento constante da mão-de-obra; à atualização dos materiais de consumo e a consciência do empreendedor; a modernização contínua das máquinas, equipamentos e instrumentos.
O contratante deverá ter uma constante auditoria da qualidade do parceiro. Já o contratado deve conhecer muito bem as metas definidas, tendo em vista a satisfação do cliente, fazendo assim com que seus subordinados saibam e focalizem todos os seus conhecimentos e esforços no sentido de atendimento integral das expectativas da qualidade do tomador dos serviços.
A realização da metas de qualidade somente será concreta se o prestador estiver perfeitamente integrado e se acompanhar o desempenho dos seus colaboradores.

“Quando determinada empresa decide que algo precisa ser feito em relação as suas atividades de apoio e retaguarda no sentido de reduzir gastos, otimizar tempo de processamento e melhorar a qualidade, obtendo com isso, maior eficiência e conseqüentemente, aumenta a eficácia, ela tem a saída, a terceirização.” Silva; Santos; Santos (2006, p.47)

2.1 RAZÕES PARA TERCEIRIZAR.

As razões que normalmente justificam a terceirização são segundo Giosa (1997):
•Indisponibilidade de capital: o fato de terceirizar algumas atividades pode reduzir as necessidades imediatas de capital;
•Falta de now how: justificam-se quando há insuficiente competência interna para as condições de competitividade do mercado, a terceirização pode ser um meio de suprir ou desenvolver mais rapidamente as competências;
•Flexibilidade: a necessidade de respostas rápidas às solicitações do mercado pode ser suprida por terceirização;
•Evitar capacidade ociosa: uma decisão de investimentos para ampliação de capacidade é decidida quando uma utilização mínima dos recursos patrimoniais está planejada, enquanto essa condição não for atingida, a terceirização da produção é uma alternativa;
•Economia de escala: quando fabricantes independentes atingem elevado nível de produção de componentes para fornecimento de várias empresas, obtém economia de escala que se justifica a terceirização;
•Surgimento de um mercado eficiente de fornecedores: quando o mercado oferece serviços justifica-se a terceirização.

2.2 FATORES QUE CONDICIONAM À IMPLEMENTAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO.

 

Há uma série de fatores que condicionam à implementação de processo de terceirização nas empresas, como afirma Giosa (1997):
•A terceirização e o ambiente estratégico: O processo de planejamento deve ser completo, contendo: os motivos reais da empresa (missão) / a aderência e compatibilidade com o negócio; além do conhecimento amplo do mercado; conhecimento sobre o novo sistema de gestão; revisão dos objetivos e diretrizes, relacionamento dos níveis hierárquicos; revisão clara dos papéis e funções dos funcionários.
•A terceirização e o ambiente organizacional: A estrutura sofrerá mudanças, extinção e criação de novos cargos nas áreas terceirizadas e nas áreas que executam as atividades principais da empresa; haverá ruptura nos processos de centralização e descentralização administrativas; as normas, sistemas e métodos operacionais deverão sofrer alterações e revisões constantes.
•A terceirização e o ambiente econômico: A estrutura de custos internos deverá ser adaptada à nova sistemática; poderá haver variações de planejamento, de acordo com a agilidade de implantação, os preços e tarifas deverão ser revisados pelas empresas considerando a participação dos serviços que têm influência na determinação do cálculo final.
• A terceirização e o ambiente tecnológico: Neste tópico será considerada a adequação da tecnologia, a adaptação dos equipamentos ao nível da exigência do cliente e a necessidade de transferência do conhecimento entre contratado e contratante, aperfeiçoando as relações.
•A terceirização e o ambiente social: A questão aqui será o emprego, onde será preciso aproveitar a mão de obra disponível das áreas terceirizadas atentas aos talentos humanos, tendo em vista a expansão das áreas que compõem as atividades principais, decorrentes do aumento dos negócios.

2.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO

 

A terceirização, como qualquer modelo de gestão, apresenta vantagens e desvantagens para a empresa e devem ser levadas em consideração, e muito bem analisadas.
Existem inúmeras vantagens da terceirização, mas existem aquelas que são mais evidentes, como, por exemplo, a facilidade de organização e gerenciamento do controle de custos da empresa, que consegue otimizar investimentos em prestação de serviços, como mão-de-obra, uniformes e equipamentos. Terceirizar evita que as empresas que optam por este procedimento tenham que lidar com trâmites jurídicos e possíveis problemas trabalhistas com funcionários, pois é a prestadora de serviços que oferece suporte e que atua com responsabilidade nestas questões.
Benefícios da terceirização: concentração de esforços, adaptação às mudanças, adaptação às mudanças, melhoria de Qualidade, melhoria de produtividade, redução de imobilizado, liberação de espaço, criação de ambiente propício ao surgimento de inovações, formalização de parcerias, valorização profissional e ampliação de novos mercados.
Com a terceirização há uma redução de custos, principalmente dos custos fixos, transformando-os em variáveis, e aumentando os lucros da empresa, gerando eficiência e eficácia em suas ações, além de economia de escala, com a eliminação de desperdícios, diminui o impacto dos encargos trabalhistas e também reduz as ações dos sindicatos nos locais de trabalho da empresa. Simplificando a organização empresarial que proporciona agilidade nas decisões, pois com a revisão estrutural, melhoram-se as relações entre departamentos, os sistemas se aperfeiçoam e os processos mais adequados.
Um dos principais riscos e desvantagens é contratar empresas inadequadas para realizar os serviços, sem competência e idoneidade financeira.
Outro risco é o de pensar que terceirização é apenas uma forma de reduzir custos. Caso esse objetivo não for alcançado, no final a terceirização não for satisfatória, implicará no desprestígio de todo processo.

Tabela 1: Vantagens e Desvantagens da Terceirização

Vantagens

Desvantagens

Desenvolvimento econômico

Desconhecimento da alta administração

Especialização de serviços

Resistência e conservadorismo

Competitividade

Dificuldades de se encontrar a parceria ideal

Busca de qualidade

Risco de coordenação dos contratos

Aprimoramento do sistema de custeio

Falta de parâmetros de custos internos

Diminuição do desperdício

Custo de demissões

Valorização dos talentos humanos

Conflitos com os sindicatos

Agilidade das decisões

Desconhecimento da legislação trabalhista

Menor custo

 

Maior lucratividade e crescimento

Fonte: GIOSA (1997 p.85)

3. EXEMPLOS: TERCEIRIZAÇÃO DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE DO ALUMÍNIO.

 

CPA Comércio Paulista de Anilinas Ltda. foi fundada em dezembro de 1980, iniciando sua atividade de vendas de corantes para indústria têxtil, papel, couro, alumínio e outras especialidades. Em 1993 firmou acordo com a Sandoz S/A para a comercialização de seus corantes para alumínio.
No ano de 1995 nasceu a Clariant S A empresa independente, a partir da cisão da área de produtos químicos especiais da Sandoz. Em 1997, a CPA, passou a comercializar a linha completa de produtos para preparação e acabamento de alumínio anodizado (corante Pasta Aluprint, desengraxante, selagem e demais produtos da linha).
A CPA hoje oferece uma completa linha de produtos com base na sua experiência, fornecendo e desenvolvendo soluções em produtos e processos, em parceria com seus clientes. A CPA possui um departamento técnico qualificado, com condições de estabelecer com seus parceiros uma relação de confiança.
A CPA atua basicamente no mercado de coloração de alumínio anodizado, juntamente com a Clariant, a CPA representa 98% do mercado a nível nacional.
Em sua carteira de clientes, 50% são terceirizadas que prestam serviço de anodização e 50% de clientes que têm anodização dentro de sua linha de produção.
Segundo João Ricardo Baptista, sócio e diretor da CPA Comércio Paulista de Anilinas Ltda. na visão da empresa o tratamento de superfície do alumínio a anodização é mais benéfico terceirizar para empresas que fabricam peças pequenas, de alto grau de acabamento e com muitas variações de cor. A CPA recomenda terceirizar devido à necessidade de alto investimento e capacidade técnica. Uma anodização somente é justificável com um volume de peças alto, ou um gasto financeiro acima de R$ 30.000,00. Se a empresa gasta valor acima de R$ 30.000,00 vale a pena montar uma anodização própria. Mesmo assim depende do artigo e variedade de acabamento. Para peças pequenas, de alto grau de acabamento e com muitas variações de cor, a CPA recomenda terceirizar mesmo com volume alto de peças devido à necessidade de alto investimento e capacidade técnica.

3.1 TERCEIRIZAÇÃO DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE NAS EMPRESAS QUE UTILIZAM ALUMÍNIO COMO MATÉRIA PRIMA

 
A Hirose Indústria e Comércio de Containers para esterilização Ltda. fundada em de 1997, porém reestruturada em 2006, tem como ramo de atividade, a fabricação de caixas (containers) para esterilizar, implantes, próteses e instrumentais cirúrgicos da área ortopédica. Porém hoje a empresa já se prepara para adentrar um novo mercado, o de fabricação de instrumental cirúrgico. Os Containers podem ser de alumínio anodizado convencionalmente em várias cores ou em anodização dura e também em aço inoxidável.
A Hirose trabalha com nove colaboradores, que são responsáveis pela fabricação e desenvolvimento dos produtos da empresa. Ela, hoje está instalada na cidade de Batatais SP. A empresa ocupa um Box de 60 metros quadrados no prédio da Incubadora de Empresas de Batatais (Projeto ministrado pelo SEBRAE), onde além de instalações físicas, a empresa recebe treinamentos, capacitação, consultorias e cursos de qualidade em gestão e eficiência.
Gráfico Demonstrativo. Aumento de 40,8% ao ano.


Figura 1 fonte Hirose

A Hirose terceiriza o tratamento de superfície nas caixas de alumínio, segundo o diretor Rildo Hirose é mais vantajoso terceirizar por vários motivos: o primeiro motivo espaço físico, é necessário um ambiente separado da linha de produção, segundo motivo está relacionado à legislação, a empresa tem que se enquadrar às normas ambientais, uma vez que todo processo de tratamento de superfície é necessário o uso de produto químico, em terceiro, contratação de pessoas e isso onera a folha de pagamento e encargos sociais. Todos esses motivos agregam custos para a empresa, por isso é mais vantajoso terceirizar. 
Qualidade, fator fundamental para Hirose, quando a empresa contratada tem como atividade única o tratamento de superfície, ela tem como foco principal, prestar serviço de qualidade.
A principal dificuldade de terceirizar é a logística, porque nem sempre a empresa prestadora de serviço está na mesma localidade da outra.
A vantagem é que não é necessário investir um grande capital para obter produtos com o tratamento de superfície.
O relacionamento da Hirose com a prestadora de serviço de tratamento de superfície é de parceria, o fornecedor faz serviços em um tempo curto, pois seria uma necessidade da Hirose, além disso, ele está sempre disposto a ajudar com troca de informações, enfim uma rede social é formada entre as organizações. 
A Roncar Indústria e Comércio LTDA. é atualmente uma das maiores indústrias de moto-peças do país. Possui mais de 5 (cinco) mil itens de produção e com uma média de lançamentos de 5 (cinco) produtos por semana. Reconhecida nacionalmente como a empresa do segmento de maior qualidade, foi escolhida para fornecer para as principais montadoras do país, como Suzuki, Yamaha, Dafra, Sundown, Kasinski, Amazonas, Garini, FYNM, entre outras.
Roncar surgiu em 1979, como um pequeno posto de troca de escapamentos para carros em Ribeirão Preto e com o passar do tempo foi crescendo e hoje com 32 anos é a principal marca do segmento na cidade, ganhando por 8 anos consecutivos como a marca Top of Mind, com diferença de 60% sobre o segundo colocado.
Atualmente sua indústria fica situada em Ribeirão Preto, e possui mais de 12.000m2 de área construída, onde estão os setores de administração e da produção. O terreno - próprio - tem 18.500m2, podendo assim expandir. Sua loja, com 3.200m2 de área construída está localizada na Avenida Francisco Junqueira, ponto tradicional e movimentado da cidade, constituindo-se em um dos maiores centro técnico do ramo de auto e moto peças do interior de São Paulo.
A Roncar emprega cerca de 350 funcionários diretos, destinados às áreas de produção, administração e para sua loja na cidade. Sempre preocupada com o bem-estar de seus funcionários.
O ramo de atividade que a empresa atua é no setor de moto-peças, produzindo escapamentos e acessórios para todos os tipos de motocicletas. É uma área em franco crescimento no Brasil, cresce cerca de dois dígitos ao ano. Suas marcas mais conhecidas são Coyote, linha de escapes esportivos mais vendidos do Brasil, Alumínium (alumínio anodizado), escapes esportivos com custo menor. O principal atributo relacionado aos produtos Roncar é a qualidade. (pesquisa feita entre 2004 e 2005 nos eventos relacionados à moto).
A Roncar atua em todo território nacional e internacional. Atualmente a Roncar possui revendedores nos EUA, Venezuela, Paraguai, Austrália, Europa e alguns países do MERCOSUL, mas devido a sua grande linha de produtos, é muito frequente a venda dos nossos produtos aos consumidores finais de todos os lugares do mundo.
A Roncar terceiriza o tratamento de superfície nos escapamentos, guidões, acessórios de motos entre outros produtos de alumínio. De acordo com Rodrigo Augusto Idalgo, engenheiro de produção da empresa, a Roncar optou por terceirizar porque a quantidade de produtos a ser anodizados equivale a 70% das peças fabricadas e terceirizar, agiliza a produção.
A Gnatus Equipamentos Médicos-Odontológicos LTDA. iniciou suas atividades em 1976. A brasileira Gnatus começava a fabricar aparelhos odontológicos, estruturada na mais alta qualidade e tecnologia. Devido a grande demanda de produtos, foi dado início a fase de expansão. Em 1993 concluíram a construção de um moderno parque fabril, localizado na cidade de Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo, com uma área de 130.000 m2.
Hoje, com 35 anos a empresa (Gnatus) é considerada um dos expoentes do mercado odontológico. A cada ano inovam em tecnologia, investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos de reconhecimento mundial.


A Gnatus é a empresa do setor odontológico brasileiro com o maior número de certificações e tem como objetivo atender as necessidades e as exigências dos clientes. Essas certificações além de  assegurarem a qualidade dos produtos atende as normas e legislações mundiais.
Certificado CE - A Gnatus possui produtos com certificação de Conformidade Européia utilizando nestes a marca CE, Certificado CE Foto Optilight LD MAX - A Gnatus possui produtos com certificação de Conformidade Européia utilizando nestes a marca CE, Certificado CE Optilight CL Alcance - A Gnatus possui produtos com certificação de Conformidade Européia utilizando nestes a marca CE, Certificado de Boas Práticas de Fabricação emitido pela ANVISA conforme o requisitos da RDC 59/00, Certificado EN ISO 9001-2008 e EN ISO 13485-2003, Certificado INMETRO Consultórios, Certificado INMETRO Jet Sonic_Ultrasonic, Certificado INMETRO Raios-X, Certificado IRAM Bomba a Vácuo - Certificado de seguridade elétrica, Certificado IRAM Consultórios, Política da Qualidade Gnatus.
A  Gnatus Equipamentos Médico-Odontológicos Ltda Exporta produtos para mais de 135 países, em todos os continentes. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Médico-Odontológica Hospitalar e Laboratorial – ABIMO, em 2004 a Gnatus foi responsável por 30% das exportações de todo o setor odontológico brasileiro.
A Gnatus terceiriza o tratamento de superfície nas peças de alumínio, segundo Ítalo Vicari gerente de suprimentos da empresa, a decisão de terceirizar esse processo foi devido ao menor custo, montar e manter uma anodização na empresa proporcionaria um custo maior.
A Gnatus tem estrutura para montar o processo de tratamento de superfície dentro de sua linha de produção, porém a diversidade de opções de tratamento superficial eleva o custo, inviabilizando o processo interno.
Para selecionar as terceirizadas a Gnatus faz uma prospecção de mercado baseados nas necessidades apontadas pela engenharia, visita os fornecedores selecionados e se aprovados fecha a parceria entre empresa e prestadora de serviço de tratamento de superfície.
A desvantagem de terceirizar é a dependência de um fornecedor externo, o acompanhamento e inspeção da qualidade das prestadoras de serviço de tratamento de superfície são feito através da pontualidade e qualidade, as inspeções da qualidade são feitas avaliação visual em 100% para itens que sofrem anodização para aplicações decorativas, avaliação visual por amostragem para itens de anodização para aplicações protetivas e avaliação com inspeção dimensional em 100% quando requer medida dimensional.

3.2 TERCEIRIZAÇÃO DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE NAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS.

A Anodont Indústria e Comercio de anodização de Alumínio LTDA está no mercado desde 1988. Com uma vasta experiência na atuação de tratamento de superfície, possui hoje mais de 90% do mercado de anodização a nível regional.  Em sua carteira tem clientes de grande representatividade nas áreas médico-hospitalar, automobilística, comunicação visual e aeroespacial.
Em 2005 a Anodont, iniciou seu processo de certificação ISO. Para isso, foram realizados grandes investimentos em renovação de processos, consultorias, qualificação de mão de obra e tratamento de efluentes. A normalização  e  certificação no ano de 2007  fez com que todos os setores da empresa passassem a usar a mesma receita de forma que todos os colaboradores entendam hoje o que é um processo de melhoria contínua.
A empresa desenvolveu departamentos específicos como  laboratório próprio, estação de tratamento de efluentes, melhores equipamentos, Lavador de gases. Com  a  implantação desses equipamentos a empresa conseguiu um ambiente  sem  cheiro  e sem barulho, melhorando a qualidade de vida dos seus funcionários.
A padronização de processos e a qualificação ISO, foi determinante para eficiência dos prazos de entrega, e diminuição de retrabalho de peças.  
A qualidade é verificada também na sua sustentabilidade na classificação da sucata, reciclagem do alumínio,  reuso  da borra resultante  da estação de tratamento de efluentes, como resíduo destinado a olaria (fabricação de tijolo),  a reciclagem é sinônimo de contribuir com o meio ambiente, como também de menor desperdício  de recursos naturais, uma vez que dita padrões de redução de uso de energia elétrica e emissão de gases poluentes . Assim, a Anodont reafirma sua motivação em aperfeiçoar recursos de sustentabilidade e total apoio à política nacional de resíduos sólidos.
Anodont há mais de vinte e três anos no mercado, está localizada em uma área própria de 2.940m2 de terreno sendo 1.530m2 de fabrica, tendo possibilidade de expandir conforme a necessidade. Possui hoje um quadro de 33 funcionários treinados e qualificados pela própria empresa.
A Anodont está mantendo sempre o foco na qualidade, utilizando as mais avançadas tecnologias em equipamentos e trabalhando com os mais qualificados profissionais.
Segundo o Sr. José Ferreira Miranda: Diretor Comercial na Anodont é realizado dois tipos de anodização: A anodização dura que é indicado para peças de alumínio que trabalham com atritos que sofrem desgaste mecânico (polia, pistão de freio, caixa de instrumentais cirúrgicos, etc..) e seu processo é à base de sulfúrico, temperatura abaixo de -5º e amperagem alta em média 3,5 A/Dm² (amperes por decímetro quadrado) e o tempo das peças no banho acima de 1 hora dependendo da camada desejada, quanto mais micragem (camada anódica) mais dura (resistência mecânica) fica a peça, devido a estes fatores o preço é duas a três vezes superiores a anodização convencional. A Anodização convencional também conhecida como decorativa muito usado em esquadrias (portas, janelas, box de banheiro, divisórias, etc.) é realizado um pré acabamento como polimento e jatiamento com micro-esfera de vidro em peças de pequeno porte antes de anodizar para dar uma estética melhor para o material, esse processo é muito utilizado nas industrias odontológicas, hospitalar, automobilística, eletrônica, enfim empresas que tem alumínio em seu equipamento e precisa de estética e proteção e seu processo, também é a base de sulfúrico, temperatura de 18 a 22 º e amperagem baixa em média 1,5 A/Dm² e as peças depois de anodizadas podem ser colorida (mais de quarenta cores) e por último a selagem que fecham os poros das peças de alumínio evitando o desbotamento da cor da peça. Não fazemos outros tipos de anodização que são a Oxalica (muito usado no Japão) devido ao alto custo e a Crômica (indicado para peças de alumínio injetas e fundidas) além do custo do produto é levado em conta o custo com Tratamento de Efluentes superior a anodização sulfúrica.
Anodont possui uma vasta carteira de cliente, mas sem duvida Ribeirão Preto é a melhor cidade para esse segmento de tratamento de superfície por ser a cidade que mais fabrica equipamentos odontológicos da America Latina, a região como São Carlos é pólo industrial na área de tecnologia e física, Rio Claro representa muito na área de ortopedia, não é só o estado de São Paulo que procura a Anodont para terceirizar o processo de anodização, Minas Gerais representada, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Contagem e Uberlândia, Pernambuco representado pelas cidades Recife, Santa Catarina, Bahia e alguns outros estados que representam pouco em se tratando de quantidades de peças.
A qualificação ISO veio com a impulsão do mercado e com a decisão dos sócios de tornar a Anodont a melhor nesse segmento de tratamento de superfície, os clientes em sua maioria são certificados e exigiam a certificação, hoje é errado dizer que a ISO é custo, pelo contrário através da certificação a empresa tem controle sobre os gastos, sobre os custos de produção, recicláveis, etc.
Existem quatro fatores indispensáveis para determinar a qualidade da anodização. 1º Refrigeração dos banhos, este sistema é que controla a temperatura dos banhos que é de 18 a 22º para o processo convencional e -5º para o processo Duro, fora destes padrões (temperatura acima) a camada fica mole. 2º Concentração do banhos que é a quantidade controlada de ácido sulfúrico (180 gramas por litros de água) no banho de anodização, este procedimento é controlado por analise de laboratório próprio na empresa diariamente. 3º Agitação dos banhos, é realizado através de ventilação tubular por compressores centrífugos para evitar o super aquecimento das peças em meio sulfúrico, pois este processo é eletrolítico (corrente elétrica continua) e gera muito calor na superfície da peça e a sua função é fazer a troca do ácido quente em volta da peça, evitando assim a queima. 4º Densidade de corrente que é amperagem usada no processo de anodização que é A/Dm²  (âmperes por decímetro quadrado) ou seja temos que medir a área da peça e da gancheira para fazermos o cáculo de quantos âmperes são necessários para cada banhada.
O controle do processo da anodização dura é feito pela camada anódica através de um aparelho (Esoscometro) que tem uma sonda que em contato com a parte plana da peça aparece no visor à camada anódica o cliente que usa anodização dura se preocupa mais com a dureza da camada (resistência mecânica) do que aparência da peça. Na anodização convencional é por amostragem e teste de selagem, realizamos duas amostras de cada item, uma para o cliente e outra para o controle de qualidade da anodont e a selagem que é controlada através de um teste realizado em uma peça de cada banhada.
O controle na produção é realizado por analise de laboratórios de nossos banhos, registros de reposição de produtos, aferição de equipamentos e instrumentais de medição e manutenção corretiva e preventiva.
Como a Anodont trabalha para vários segmentos a atenção tem que ser redobrada, em primeiro lugar tem que saber a necessidade do cliente, depois desenvolver o processo mais indicado para sua necessidade, o procedimento é registrado para padronizar o processo. Existem clientes que tem parceria com a ANODONT a mais de 20 anos, sendo que vários deles cresceram junto com a empresa, é muito importante manter uma parceria, a fidelidade se deve pelo atendimento e serviço prestado, o cliente não quer só qualidade e preço ele quer ser bem atendido, quer falar diretamente com técnicos especializados nos processos da anodizaçãos, quer ser tratado com diferencial, quer se sentir único.

Segundo a ABAL (Associação Brasileira do Alumínio) o ano de 2009 e o primeiro semestre de 2011 houve uma queda na produção de alumínio primário, ou seja, aquele que é extraído da bauxita e passa por diversos processos até chegar à forma de tarugo de alumínio, a queda é uma conseqüência do aumento da  quantidade de alumino reciclado que é de 98% no Brasil, então a quantidade de bauxita extraída é muito pouco apesar de ser o terceiro País com maior quantidade de bauxita no mundo, o preço do alumínio tem se mantido e muitos estão trocando o latão e o aço inoxidável por alumínio.
A ABTS (Associação Brasileira de Tratamento de Superfície) tem mostrado gráficos otimistas em sua Revista Tratamento de Superfície publicada mensalmente, mostrando que este segmento está em fase de crescimento e isto fica evidenciado em algumas empresas, principalmente nas empresas beneficiadoras de produtos químicos para o segmento de tratamento de superfície.

CONCLUSÃO

O consumo nacional de alumínio, esta na casa de 1,2 milhões de toneladas ano, irá duplicar nesta década, em função do forte crescimento econômico projetado para o país, de 5,6 ao ano, que conta ainda com a contribuição das obras do pré-sal e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), além dos grandes eventos esportivos de 2014 e 2016. Esse crescimento trará a necessidade de volumosos investimentos em infra-estrutura, transportes, programas habitacionais e construção civil, em que o alumínio tem participação fundamental, com suas soluções alinhadas a um desenvolvimento sustentável. O mercado de produtos de alumínio vai ter que aumentar a produção prejudicar a qualidade, para atender a grande demanda dos próximos anos.
Mediante pesquisas e conceitos estudados para o desenvolvimento deste trabalho, concluiu-se que terceirizar serviços complementares já não é uma novidade para as organizações que visam qualidade e melhoria de seus objetivos finais.
A terceirização está inserida nos conceitos da administração, e as empresas buscam alternativas no processo de redução de despesas, neste caso especialmente no setor de mão-de-obra, onde é possível a substituição por terceiros.
Para as empresas analisadas, o processo de terceirização no tratamento de superfície reduziu os custos com a mão de obra, analisam-se as vantagens, além dos custos, tem-se como: responsabilidade sobre encargos sociais (impostos); trâmites jurídicos e possíveis problemas trabalhistas com funcionários. O aumento e agilidade de produção também foi uma vantagem importante para as empresas entrevistadas. É benéfico terceirizar o tratamento de superfície devido à necessidade de alto investimento e capacidade técnica. Um tratamento de superfície dentro da linha de produção somente é justificável com um volume de peças alto, mesmo com o volume alto de peças, depende do artigo e variedade de acabamento. Para peças pequenas, de alto grau de acabamento e com muitas variações de cor é recomendado terceirizar, devido à necessidade de alto investimento e capacidade técnica. A principal dificuldade de terceirizar é a logística, porque nem sempre a empresa prestadora de serviço está na mesma localidade da outra.

Como sugestão, para melhoria da terceirização, concluí-se que é preciso escolher fornecedores melhor qualificados, avaliar a capacidade técnica da empresa contratada, o custo dos serviços realizados por terceiros.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

 

ABTS- Associação Brasileira de Tratamento de Superfície. Curso de Galvanoplastia.9.Ed. São Paulo: Revista, 1995.

ABAL- Associação Brasileira do Alumínio. Guia técnico de alumínio: tratamento de superfície. 2. Ed. São Paulo: ABAL, 2005.

GIOSA, L.A. Terceirização: uma abordagem estratégica. 5. Ed. São Paulo: Pioneira, 1997.

QUEIROZ,C.A.R.S. Manual de Terceirização. 4,Ed. São Paulo:STS,1992.

SILVA, José Alberto Teixeira da; SANTOS, Roberto Fernandes dos; SANTOS,Neusa Maria Bastos F. Criando valor com serviços compartilhados: aplicação do BALANCED SCORECARD. São Paulo: Saraiva, 2006.